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Empresários não podem ficar só na queixa; precisam participar

Um dos mais tarimbados assessores do ministro Paulo Guedes gasta boa parte de seu tempo falando com empresários e criando uma ponte direta entre a pasta da Economia e o setor produtivo. Numa recente roda de conversa, ele se queixava da falta e participação do empresariado quando provocado para contribuir com ideias.

Um exemplo desses ocorreu alguns meses atrás, quando o governo criou um pacote tributário mudando várias regras fiscais – entre as quais a criação de impostos sobre os dividendos distribuídos pelas empresas a seus acionistas, uma medida que até agora não foi bem absorvida.

Na época do lançamento do tal pacote, este colaborador de Guedes visitou mais de 120 entidades empresariais pelo país para falar desta proposta e de outras que estavam para sair. Ouviu os queixumes de praxe. Afinal, aumentar impostos, mesmo com eventuais compensações, é algo que incomoda todos, especialmente os empresários.

Nessas conversas, ele tinha uma resposta na ponta da língua ao ouvir críticas às medidas tributárias: proponha uma alternativa.

Pois bem. Das mais de 120 entidades que receberam essa provocação, apenas cinco produziram projetos alternativos ao pacote do governo.

Não se sabe ao certo se essas ideias foram aproveitadas na redação final do PL. Mas chama a atenção uma adesão tão baixa do empresariado ao chamamento do Ministério. Se houvesse uma massa consistente de propostas, talvez a história desse conjunto de medidas fosse outra.

Falar mal do governo é um esporte nacional e todos o praticam. Mas os empresários também precisam contribuir com ideias. Se o governo não as aproveitar, é o caso de pressionar, pressionar, pressionar. Mas não se pode criticar sem fazer nada – ou sugerir mudanças.

Se isso ocorre com um assunto tão sério como a criação de impostos, algo que ninguém aguenta mais, imagine o que pode ocorrer com um assunto técnico, daqueles que poucos entendem o seu teor?

O empresariado não pode mais ficar quieto. E deve assumir bandeiras como a redução do tamanho do Estado. É a única forma de reduzir a pressão tributária sobre todos nós. Isso nos foi prometido em 2018 e, até agora, não foi entregue. Mesmo que Paulo Guedes tenha se desviado de sua bandeira liberal, os empresários não podem apenas no terreno das lamentações. Estamos falando de pessoas que abriram seu caminho no mercado com perseverança e agressividade. Está na hora de levarmos esse espírito para a discussão sobre o Poder Público e mostrar à sociedade que o governo não precisa de 440 estatais (incluindo empresas com participação governamental) – e muito menos torrar quase R$ 200 bilhões na última década para tapar seus rombos orçamentários. Isso significa quase seis vezes o tamanho da verba anual destinada hoje ao Bolsa Família.

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