Para Marcos Lisboa, economista e presidente do Insper, o atual sistema tributário do país prejudica sobretudo o trabalhador, não só o empresário. “A alta carga tributária cobrada sobre a folha de pagamento encarece a contratação de funcionários. No fim, o empresário desconta do trabalhador, que ganha menores salários”, disse Lisboa, durante evento promovido pelo Insper, nesta terça-feira (21) em São Paulo.
De acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas em parceria com a CNI (Confederação Nacional da Indústria), o imposto cobrado é tão alto que custa o dobro manter um empregado no Brasil. Um funcionário que recebe R$ 1.500,00 por mês, na prática, pode custar duas vezes esse valor para o empregador.
“Não há nada comparável em outros países com o custo fiscal para contratar no Brasil”, afirma Lisboa.
Segundo ele, a regra tributária brasileira, além de ser mal escrita, é disfuncional. “São impostos cobrados sobre diferentes formas de trabalho. Temos CLT, PJ, MEI e sócios, todos na mesma empresa. Imagina na hora de pagar imposto sobre todas essas formas de contratação?”, questiona Lisboa.
O economista também alertou para a necessidade de fazer a reforma tributária, que deve ser votada na próxima quarta-feira (22), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
Entre as mudanças propostas na reforma — e endossadas por Lisboa — estão a criação de um novo tributo sobre bens e serviços e a simplificação dos impostos, com a unificação de PIS/Confins, ICMS, IPI e ISS.