Após alta expressiva em fevereiro, retração nos preços reflete movimento de reequilíbrio entre oferta e demanda no mercado imobiliário, segundo FGV
Após a forte alta de 1,81% registrada em fevereiro, os aluguéis residenciais recuaram 0,31% em março, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). As informações fazem parte do Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), que acompanha a evolução mensal dos preços praticados no mercado.
Apesar da queda no mês, o índice acumula alta de 6,55% nos 12 meses encerrados em março. No período equivalente anterior, encerrado em fevereiro, o avanço havia sido de 8,01%, indicando uma desaceleração nos preços.
De acordo com o economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, o recuo no ritmo de crescimento está relacionado principalmente às desacelerações observadas nas cidades de São Paulo e Porto Alegre. “Apesar dos fatores macroeconômicos como taxas de juros elevadas e inflação em aceleração, que poderiam impactar os preços dos contratos novos e antigos, a dinâmica mais recente nessas cidades indica um movimento de reequilíbrio entre oferta e demanda”, afirmou Dias, em nota oficial.
Capitais têm variações distintas
Entre as quatro capitais monitoradas pelo IVAR, São Paulo e Porto Alegre puxaram a média nacional para baixo. Na capital paulista, o índice passou de uma alta de 2,83% em fevereiro para queda de 0,29% em março. Em Porto Alegre, o recuo foi ainda mais expressivo: de -2,35% para -5,30%.
Já o Rio de Janeiro registrou forte aceleração, com os aluguéis subindo 5,18% em março, ante uma alta de 2,61% no mês anterior. Em Belo Horizonte, a variação também foi positiva, mas desacelerou de 5,23% em fevereiro para 2,69% em março.
No acumulado de 12 meses, São Paulo registra alta de 5,05% nos aluguéis. No Rio de Janeiro, a variação é de 6,57%; em Belo Horizonte, 7,72%; e em Porto Alegre, 6,77%.
Metodologia aprimorada
O IVAR utiliza dados diretamente dos contratos assinados entre locadores e locatários intermediados por administradoras de imóveis. A metodologia substitui o antigo modelo da FGV, que se baseava apenas em anúncios de aluguel, e não nos valores efetivamente negociados.