Chairman do BTG Pactual declarou que Donald Trump é um homem de negócios, não de guerra, mesmo sendo crítico ao multilateralismo
Em tom moderado, o chairman do BTG Pactual, André Esteves, liderou o painel “Visões de Brasil e Mundo” nesta terça-feira (25), na CEO Conference 2025. O sócio sênior do banco descartou tensões maiores que envolvam o Brasil na guerra tarifária dos Estados Unidos com a China. Na ótica de Esteves, o papel de exportador de commodities do Brasil, alinhado ao nosso déficit comercial com os norte-americanos deixa o país em uma posição mais segura.
“Somos exportadores de alimentos para o mundo e deficitários com os EUA. Estamos fora do radar da guerra tarifária. Não vejo motivo de grandes preocupações ou movimentos nesse sentido. Não vejo o Brasil como afetado, seja por uma convergência ou divergência ao final desse conflito. Nesse caso, o prejuízo ficará na Europa”, defendeu.
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O chairman do BTG Pactual emendou dizendo que o presidente Donald Trump é um homem de negócios, não de guerra. “Como todo business man, Trump não gosta de guerra. Isso é positivo. Mas a maneira como ele conduz a diplomacia americana é um pouco exótica. Isso é um risco ao multilateralismo”, argumentou.
Questionado pelo mediador do painel, o jornalista William Waack, sobre o cenário econômico local, Esteves reiterou o discurso de condução perigosa de um automóvel. Segundo ele, é preocupante a combinação de uma política fiscal frouxa e uma monetária muito apertada – em referência ao descompasso entre as medidas adotadas pelo governo e pelo Banco Central (BC), o que dificultaria a convergência da inflação para a meta de forma eficiente. “O que me preocupa é uma combinação de políticas que poderiam ser muito mais otimizadas. É como se você estivesse dirigindo um carro com um pé no freio e outro no acelerador. Por algum motivo estamos nesse caminho”.
Desaceleração
Ao final do painel, Esteves revelou que prevê sinais de desaceleração na economia neste ano, em um movimento que deve conter a pressão inflacionária, alertando para riscos de uma ansiedade por parte do governo diante do desaquecimento. “A economia vai desaquecer um pouco mais leve do que seria necessário e a inflação vai convergir para a meta um pouco mais longe [no tempo] do que seria necessário. A dúvida é: vai bater uma ansiedade no governo de ver a economia desaquecer e começar a descumprir as regras fiscais? Seria um erro, mas não está na mesa”, questionou.