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JPMorgan eleva risco de recessão global para 60% com a ofensiva protecionista de Trump

Banco vê tarifas como maior aumento de impostos desde a Segunda Guerra Mundial; economistas alertam para impactos inflacionários e resposta internacional

O risco de uma recessão global aumentou consideravelmente após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de implementar novas tarifas de importação. De acordo com relatório divulgado pelo JPMorgan, a probabilidade de uma recessão global subiu de 40% para 60%.

Na análise enviada a clientes, o banco afirma que as tarifas anunciadas representam o maior aumento efetivo de impostos desde a Segunda Guerra Mundial, e que os impactos econômicos poderão ser ainda mais severos caso outros países decidam retaliar.

Trump anunciou uma tarifa geral de 10% sobre todos os bens importados pelos Estados Unidos, além de medidas adicionais para 60 países com déficit comercial com os EUA, incluindo China, Japão e membros da União Europeia. Até regiões remotas e pouco habitadas, como territórios ultramarinos da França, foram incluídas na lista de sanções tarifárias.

Impacto direto sobre preços e consumo

As tarifas funcionam, na prática, como um aumento de impostos sobre lares e empresas americanas, segundo o JPMorgan. Com o encarecimento dos produtos importados, desde itens básicos como café e roupas até bens duráveis como automóveis e eletrodomésticos, o banco estima que o aumento médio na carga tributária chega a 22 pontos percentuais — o equivalente a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA.

O relatório destaca ainda que o cenário pode se agravar caso haja retaliações por parte de outros países, retração no sentimento empresarial ou impactos significativos nas cadeias de suprimentos globais.

Apesar do alerta, os analistas do banco ressaltam que a recessão ainda pode ser evitada, caso as medidas sejam revistas ou suavizadas nas próximas semanas. No entanto, a implementação total das tarifas é considerada um “choque macroeconômico relevante”, com potencial de empurrar os EUA — e possivelmente o mundo — para uma recessão ainda em 2025.

El-Erian: risco de recessão nos EUA está “desconfortavelmente alto”

O economista Mohamed El-Erian, conselheiro econômico-chefe da Allianz, reforçou o alerta. Em entrevista à CNBC, ele estimou em 50% a probabilidade de uma recessão nos Estados Unidos, citando os efeitos adversos das novas tarifas. El-Erian também projetou que a economia americana deve crescer entre 1% e 1,5% neste ano — bem abaixo da previsão de 2,7% feita pelo FMI.

“O risco está desconfortavelmente alto. A economia está próxima de uma ‘velocidade de estol’, crescendo tão pouco que mal consegue realocar recursos com eficiência”, afirmou. Segundo ele, as projeções inflacionárias também aumentaram, com expectativa de 3,5% para o índice de preços ao consumidor.

O economista criticou o otimismo dos mercados em relação à redução dos juros pelo Federal Reserve. “Se houver sorte, talvez vejamos um corte. Mas não me surpreenderia se não houvesse nenhum”, disse, classificando o comportamento do Fed como atípico.

China anuncia retaliação e amplia tensão comercial

A resposta internacional não demorou. Nesta sexta-feira (4), a China anunciou tarifas adicionais de 34% sobre produtos dos EUA e classificou várias empresas americanas como “entidades não confiáveis”. A reação gerou novos temores nos mercados financeiros e pressionou o dólar, que chegou a cair frente ao euro e à libra antes de recuperar força.

“O mundo depende do crescimento dos EUA. Se os Estados Unidos desacelerarem, o resto do mundo também sentirá os efeitos”, concluiu El-Erian.


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