Impulsionado pela demanda da logística e da exportação, indústrias preveem boas perspectivas para este ano
Prévia da Associação Brasileira de Embalagens em Papel (Empapel) mostra que o Índice Brasileiro de Papelão Ondulado subiu a 145,5 pontos, com 326,723 mil toneladas expedidas no mês passado, alta de 11,1% na comparação anual. Esse é segundo maior volume para os meses de fevereiro desde o início da série histórica, atrás apenas de fevereiro de 2021, que teve 332,024 mil toneladas.
Ainda de acordo com a Empapel, considerando-se os dados livres de influência sazonal, o IBPO avançou 1,4%, para 156,0 pontos. Em volume, foram 349,631 mil toneladas expedidas. No setor, há quem veja margem para que a expansão no ano vá além de 1%.
Nos últimos anos, diversas questões têm contribuído para essa crescente e tem sido notável o aumento da utilização do papelão como alternativa sustentável – substituindo tanto a madeira quanto o plástico. O fenômeno reflete uma mudança significativa nas práticas comerciais e industriais, impulsionada por uma combinação de fatores econômicos, ambientais e funcionais. Além disso, sua produção consome menos energia e recursos naturais em comparação às demais matérias-primas, o que contribui para a redução da pegada de carbono.
Na Grande São Paulo, o Grupo Mazurky, indústria do setor de embalagens de papelão ondulado, em Mauá (SP), é uma das que comemoram o crescimento. De acordo com o diretor da empresa, Eduardo Mazurkyewistz, há uma demanda especialmente vinda dos centros logísticos e no setor de exportação. “Os setores que puxaram essa demanda incluem o automotivo, logística e transporte, áreas em que o papelão é amplamente utilizado devido sua versatilidade e resistência. Além disso, as regulamentações ambientais mais rígidas em muitos países podem estar incentivando as empresas a adotarem materiais mais ecológicos”, explica.
Embora seja leve, o papelão é surpreendentemente resistente e pode suportar o peso necessário para a movimentação e transporte de produtos. “Além disso, ele é mais acessível em termos de custo de produção e é mais fácil de transportar e armazenar devido ao seu peso mais leve. Isso pode resultar em economias significativas para empresas que dependem fortemente da movimentação interna e da exportação de produtos”, afirmou.
Para acompanhar a crescente demanda, a indústria ampliou o quadro de colaboradores, e vem realizando, gradativamente, investimentos em novos maquinários, um aporte de R$ 36 milhões. Um dos equipamentos, inclusive, expandiu o ramo de atuação da empresa. A fábrica adquiriu uma impressora digital, importada da Espanha, com tecnologia inédita na indústria de embalagem do Brasil, que reproduz nos invólucros imagens com qualidade de fotografia. “Investimos em novas tecnologias constantemente e, para 2024, estamos otimistas, prevendo um crescimento de 16%“.