Medida tem efeito imediato e busca equilibrar cobranças sobre produtos norte-americanos, mas há temor de recessão global. Como a balança é favorável aos EUA, índice ficou mais baixo aos brasileiros.
Após semanas propagando o Dia da Libertação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) tarifas recíprocas para todos os países. O anúncio, no Rose Garden da Casa Branca, gera uma apreensão global e alimenta a expectativa de uma iminente guerra comercial de grandes proporções. As tarifas recíprocas serão de ao menos metade da alíquota cobrada pelos outros países, com uma taxa mínima de 10%. O Brasil está entre os menos afetados, com tarifa linear de 10%, que também foi aplicada para Reino Unido, Austrália, Argentina, Cingapura, Chile, Colômbia e Turquia.
A primeira medida anunciada foi a taxação de 25% em cima de automóveis de países europeus e asiáticos a partir desta quinta-feira (3). Para Trump, seria uma forma de recuperar a importância da indústria americana, criar novos empregos e reduzir o déficit comercial do país, de quase US$ 1 trilhão (R$ 5,7 trilhões) em 2024. Além disso, a medida vai corrigir anos de comércio, segundo ele “injusto”, em que os outros países têm “roubado” os Estados Unidos.
Ele disse que a aplicação das tarifas aos outros países “é uma medida gentil” que tornará os “Estados Unidos grande novamente”. Em termo globais, as tarifas podem representar uma redução no crescimento global e até recessão em alguns países, a exemplo de México e Canadá, altamente dependentes do comércio americano. Para o Brasil, alguns produtos devem sofrer mais que outros, porém, de modo geral, o tarifaço não deve pesar quanto em outros países – já que a balança comercial é favorável aos EUA.
Trump já tinha anunciado no mês passado uma tarifa de 25% sobre todo aço e o alumínio que entra nos Estados Unidos, e isso tende a ter reflexo nas exportações brasileiras. Mas conforme anunciado pelo governo, o impacto por aqui parece ser menor que inicialmente esperado. Essa possibilidade precisará ser alvo de análises mais detalhadas para determinar onde podem surgir estragos.
No caso da carne, o presidente do EUA criticou as importações australianas, mas não citou o Brasil. Os países taxados poderão reagir, sem quiserem.
No anúncio, ele fez críticas aos governos passados, em especial a administração de Joe Biden, por terem deixado outros países aplicarem elevadas taxas aos produtos norte-americanos, impactando a indústria nacional. Segundo ele, esses países “estão roubando” e “levando vantagem” dos EUA.
Em suave igualdade
- Brasil aplica 10%, vai receber em troca 10%
- Argentina aplica 10%, vai receber em troca 10%
- Austrália aplica 10%, vai receber em troca 10%
- Chile aplica 10%, vai receber em troca 10%
- Colômbia aplica 10%, vai receber em troca 10%
- Reino Unido aplica 10%, vai receber em troca 10%
- Singapura aplica 10%, vai receber em troca 10%
- Turquia aplica 10%, vai receber em troca 10%
Fortemente taxados
- Camboja aplica 97%, vai receber em troca 49%
- Vietnã aplica 90%, vai receber em troca 46%
- Sri Lanka aplica 88%, vai receber em troca 44%
- Bangladesh aplica 74%, vai receber em troca 37%
- Tailândia aplica 72%, vai receber em troca 36%
- China aplica 67%, vai receber em troca 34%
- Taiwan aplica 64%, vai receber em troca 32%
- Indonésia aplica 64%, vai receber em troca 32%
- Suíça aplica 61%, vai receber em troca 31%
- África do Sul aplica 60%, vai receber em troca 30%
- Paquistão aplica 58%, vai receber em troca 29%
- Índia aplica 52%, vai receber em troca 26%
- Coreia do Sul aplica 50%, vai receber em troca 25%
Desequilíbrios protecionistas
- Malásia aplica 47%, vai receber em troca 24%
- Japão aplica 46%, vai receber em troca 24%
- Filipinas aplica 34%, vai receber em troca 17%
- Israel aplica 33%, vai receber em troca 17%]