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Exame: Eles transformaram o parquinho em negócio milionário

O espaço de brincar está mudando de lugar. Se antes era o quintal ou o corredor da escola, hoje são as praças, os jardins dos prédios, os pátios dos shoppings. A infância está mais urbana — e mais pressionada — e isso reacendeu o valor dos parques de brincar como parte da cidade. Para empresas e governos, promover esse tipo de espaço virou uma demanda social e também uma exigência de urbanismo.

É nesse cenário que o Erê Lab cresceu. A empresa, criada em 2014 por Roni Hirsch e Helo Paoli, fabrica brinquedos urbanosmobiliário lúdico e equipamentos para espaços públicos e privados. A proposta: levar artebrasilidade e interação para o dia a dia de crianças nas cidades.

A demanda por requalificação urbana e espaços de convivência tem puxado o crescimento. Incorporadorasshoppingsescolas e governos são clientes frequentes. Em 2023, o Erê Lab registrou 7,3 milhões de reais em receita, com alta de 14% sobre o ano anterior. Com isso, entrou no ranking EXAME Negócios em Expansão 2024, ocupando a 131ª posição entre as empresas que faturam de 5 milhões a 30 milhões de reais por ano.

“Brincar é ancestral, é natural, é o que conecta a criança ao mundo. Nosso objetivo é oferecer esse direito em todos os lugares”, diz Roni Hirsch, diretor criativo e fundador da empresa.

Para 2024, a meta do Erê Lab é crescer ainda mais: o plano é alcançar 20 milhões de reais em receita até dezembro. No primeiro trimestre, a empresa já bateu todo o faturamento do primeiro semestre do ano passado. Um novo projeto de ampliação da fábrica está em andamento.

Brinquedos do Erê Lab: aposta em brasilidade e design (Divulgação/Divulgação)


A história do Erê Lab

A ideia da empresa surgiu quando Roni, artista plástico e cenógrafo, se tornou pai. Em meio às manifestações de 2013, ele escreveu um manifesto sobre o “brincar no século 21” e começou a desenhar brinquedos urbanos. O primeiro protótipo foi montado com sobras de madeira em um galpão em São Paulo. “A gente testou o brinquedo numa feira de design. Mas logo os pais começaram a levar os filhos para brincar, e a exposição virou parque”, conta.

A partir daí, o Erê Lab cresceu como uma mistura de ateliê e fábricaHelo Paoli, formada em artes e com experiência em produção cultural, entrou na sociedade e ajudou a profissionalizar o negócio. A produção ganhou escala, a fábrica foi montada e hoje o Erê Lab entrega até 150 projetos por ano em 22 estados do Brasil, com 55 colaboradores e uma planta de 3 mil metros quadrados.

O que a empresa faz

O portfólio do Erê Lab é dividido em três grandes frentes: playgrounds, mobiliário urbano e equipamentos esportivos. Tudo feito para ambientes externos, com madeira certificada, aço galvanizado, pintura anticorrosiva e componentes pensados para durar — mesmo em praças públicas.

Entre os produtos estão escorregadores, estruturas de escalada, casas palafitas e brinquedos giratórios inspirados na flora brasileira, como a Vitória-Régia. Cada projeto pode ir de 30 mil a 1 milhão de reais, dependendo do tamanho e da complexidade.

O trabalho é 100% autoral. Os parques e brinquedos são desenhados dentro do estúdio do Erê Lab, com estética inspirada no folclore, na arquitetura brasileira e em elementos naturais como o mangue e a árvore-baú.

“Não copiamos o que o mercado já faz. Criamos brinquedos com identidade, com brasilidade. Nosso foco é transformar a paisagem urbana com obras que as crianças reconhecem como delas”, afirma Hirsch.

Quem são os clientes

A lista de clientes do Erê Lab inclui escolas como Red House International SchoolSESCs, prefeituras, construtoras e ONGs. A empresa já instalou brinquedos em praças como a do Campo Limpo, em São Paulo, no centro cultural da Ilha de Deus, no Recife, e em áreas escolares na zona sul de Porto Alegre.

Incorporadoras também fazem parte da carteira. Algumas contratam o Erê Lab para cumprir contrapartidas urbanas. Outras, para construir espaços de lazer em condomínios de alto padrão. “A gente trabalha tanto no público quanto no privado, mas nossa prioridade é o espaço público. É ali que a brincadeira mistura as classes sociais”, diz Paoli.

Além da atuação comercial, o Erê Lab mantém o Coop-erê, braço de impacto social que articula parcerias entre empresas privadas, governos e comunidades para implantar parques em áreas periféricas.

Um dos exemplos é a praça do Campo Limpo, inaugurada em 2024, na zona sul de São Paulo. O projeto foi viabilizado com a ajuda de um líder comunitário local, a ONG Solano Trindade e o apoio de marcas privadas.

“Brincar de verdade é o que muda o entorno. A praça virou ponto de encontro de todo mundo, de criança a idoso”, afirma Hirsch.

Por que a empresa cresce

O crescimento do Erê Lab é puxado por três vetores: aumento da demanda por espaços urbanos qualificados, obrigatoriedade de contrapartidas sociais em novos empreendimentos e valorização da infância como pauta pública. Mas os sócios creditam o sucesso, principalmente, à consistência do produto.

“Nosso crescimento vem da experiência das pessoas. Quando elas encontram um parque nosso, sentem que algo mudou. E isso gera novas demandas”, diz Paoli.

Para Hirsch, é a prova de que um trabalho autoral, feito com atenção e durabilidade, pode competir mesmo num mercado de preços baixos e grandes concorrentes. “Temos o ticket médio mais alto do setor, mas entregamos um parque que dura, que não quebra, que não desaparece.”

Brinquedos do Erê Lab: unidades são instaladas em locais de muito movimento como praças, shoppings e condomínios (Divulgação/Divulgação)


Os próximos passos

Para os próximos anos, o Erê Lab quer ir além das crianças. A meta é ampliar o foco para mobiliários urbanos que incentivem o convívio em família e em comunidade. Bancos, mesas, coberturas e até lixeiras serão pensadas como peças que provocam interação — e não apenas como função.

Além disso, a empresa está estudando projetos de exportação e já recebeu consultas de países da América do SulEuropaOriente Médio e África.

“O Erê Lab começou com madeira reaproveitada e virou uma fábrica consolidada. Hoje temos sistemas, processos e estrutura para dar o próximo passo”, diz Paoli


Por Leo Branco

Publicação original: bit.ly/449TXR6

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