Depoimento à PF serviu de respaldo para STF decidir que crimes de militares serão julgados pela Corte
De acordo com a coluna da Carolina Brígido, da UOL, um servidor da Polícia Federal que estava no Palácio do Planalto em 8 de janeiro afirmou que militares escoltaram alguns dos golpistas que depredaram o local até a saída de emergência para evitar que fossem presos. Os militares deveriam proteger o prédio.
O depoimento serviu de respaldo para o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidir que crimes de militares nos atos antidemocráticos serão julgados pela Corte, e não pela Justiça Militar.
O servidor afirmou que registrou em vídeo as cenas descritas e as imagens já estariam em posse dos investigadores. Ele contou que os militares presentes no local estavam com equipamentos antidistúrbio, mas não empregaram qualquer ação em relação aos invasores.
“Um militar orientava a tropa do BGP (Batalhão da Guarda Presidencial) para fazer um corredor e liberar os manifestantes para saírem pela saída de emergência para trás do Planalto: “Vamos liberar, fazer um corredor”; que vários manifestantes ficavam no local afirmando que o Exército os estava protegendo; que, então, o Choque subiu a rampa para acessar o Planalto; que um dos militares que tentava organizar uma liberação para os invasores se dirigiu à tropa de choque da Polícia Militar do DF, tentando impedi-los de entrar: ‘aqui não, aqui não””, diz trecho do depoimento.
Detalhes do dia
O depoente é um funcionário da Polícia Federal, atualmente cedido à Secretaria-Geral da Presidência da República. No dia dos eventos em questão, ele estava em casa, de folga, e acompanhando a cobertura jornalística da movimentação em Brasília para a manifestação. Por volta das 15h, percebeu que os manifestantes se deslocavam em direção à Esplanada dos Ministérios e decidiu, às 16h, ir ao Palácio do Planalto para verificar as medidas de segurança no local.
Chegando a um anexo do Palácio do Planalto, “notou que não havia qualquer bloqueio de veículos” na via, onde pessoas desciam dos veículos vestindo camisas da seleção brasileira rumo à Esplanada. “Somente na altura do Ministério da Justiça havia uma barreira do Detran, com dois agentes de trânsito”, disse o depoente.
O servidor também disse que, ao se aproximar do acesso ao Palácio do Planalto pelo anexo, “notou que a guarita de segurança, onde ficam os militares do Batalhão da Guarda Presidencial, estava abandonada”.
Segundo o depoimento do servidor à PF, a tropa da Polícia Militar do DF que controlou o local e os manifestantes era menor do que a tropa do BGP presente no Palácio do Planalto. Além disso, ele afirmou que a segurança no local estava desmobilizada naquele dia, sem qualquer comando ou preparação por parte dos militares presentes. Os soldados com escudos estavam inativos enquanto outros militares, usando fardas ou coletes do GSI, circulavam e conversavam com os manifestantes.
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