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O desafio de comunicar um produto de difícil aceitação

O ministro Sidônio Palmeira assumiu a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto cercado de expectativa: afinal, ele havia sido o marqueteiro da campanha vitoriosa de Luiz Inácio Lula da Silva e tinha como missão melhorar a imagem do governo, cuja aprovação era cadente desde 2024. Ontem, porém, saiu a nova pesquisa Quaest, que caiu feito um balde de água fria no núcleo palaciano. O estudo mostra que o índice de desaprovação de Lula disparou em dois meses, saindo de 49% e chegando a 56%.

A insatisfação vem de praticamente todos os setores da sociedade brasileira. A aprovação supera a desaprovação em apenas três grupos: aqueles com mais de 60 anos de idade, os que ganham até dois salários-mínimos e os cidadãos sem instrução ou com o fundamental incompleto.

Dois terços dos jovens de 16 a 34 anos têm opinião contrária ao governo, o mesmo ocorrendo com quem tem o ensino secundário e o superior completos. Quando os entrevistados são divididos em raças, o desgaste de imagem do presidente é ainda mais perceptível: entre os pardos, ele é desaprovado por 52%; entre os brancos, o mesmo índice atinge 61%; por fim, são 51% os pretos desaprovam Lula.

Uma das explicações para essa elevação constante da impopularidade do presidente seria a inflação de alimentos, percebida por 88% da população. Mas a pesquisa mostra também sinais surpreendentes de percepção. Enquanto estamos experimentando a menor taxa de desemprego da história (6,2%), 53% dos entrevistados dizem que hoje é mais difícil arrumar uma colocação que há um ano, quando o índice era de 6,6% (em dezembro de 2023: 7,8%).

Qual seria, então, o peso da economia entre as maiores preocupações dos brasileiros? Trata-se da terceira maior inquietação nacional, com 19% (a violência lidera esse ranking, com 29% e as questões sociais cravam 23%).

Portanto, pode-se dizer que existe um desconforto em relação ao cenário econômico, mas talvez esse não seja o principal vetor de insatisfação dos eleitores. Mas os sinais de pobreza da sociedade, embora não mapeados pela pesquisa, também podem influenciar no julgamento do governo Lula, já que o número de pessoas sem-teto aumentou bastante e o de pedintes nos sinais de trânsito idem.

Isso nos leva ao primeiro item no quesito da contrariedade crescente em relação ao governo Lula: a violência. Recentemente, o governo tentou mostrar iniciativa nesse campo, criando medidas para coibir o furto de aparelhos celulares. Mas essas iniciativas foram recebidas com ironia por parte de muitos usuários das redes sociais.

Os marqueteiros de Lula precisam entender algo que parece não estar em seus radares: o presidente está no cargo pela terceira vez. Isso produz um desgaste natural, já que muitos votaram nele para derrotar o principal adversário, Jair Bolsonaro.

O que ficou claro para esse tipo de eleitor (e outros também) é que Lula tem uma visão antiquada do Brasil, repetindo o mesmo discurso de duas décadas atrás. Além disso, o tom esquerdista de suas declarações tem incomodado eleitores moderados e os empreendedores.

Em vez de criar mecanismos para sensibilizar o eleitorado no curto prazo, Sidônio deveria entender melhor quais são as razões que estão por trás da rejeição ao terceiro mandato de Lula. O ministro da comunicação, por enquanto, está oferecendo apenas paliativos para melhorar a imagem do governo, que podem até sensibilizar os mais pobres em algum momento do futuro – mas que terão consequências preocupantes em quadrantes da classe média.

Um pedaço dessa equação – o discurso ultrapassado – provavelmente não poderá ser resolvido. Lula completará 80 anos em outubro e não vai mudar de opinião a esta altura do campeonato, não importa o esforço empreendido por Sidônio. O Brasil, no entanto, mostra, com estes altos índices de desaprovação, que quer ser um país moderno, com desenvolvimento e economia de mercado.

Será que Lula poderia oferecer isso aos brasileiros?

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Comentários

Uma resposta

  1. Acho que Lula também está catalisando as antipatias ao Supremo e particularmente ao Alexandre de Morais . Na concepcao dos cidadãos em geral , eles estariam compondo uma coalizão. De certa forma , também a má reputação da classe política à partir da questão das emendas orçamentárias recai sobre ele. A comunicação do governo é pouco explicativa e não considera a pouca cultura política da população.

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