Partido cede à pressão e abandona obstrução após críticas de setores do agro e governistas
A estratégia de obstrução planejada pelo Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados não teve sucesso, e a legenda acabou cedendo à pressão para votar o projeto de reciprocidade tarifária. O partido havia ameaçado travar as votações até que a urgência do Projeto de Lei 2858/22, que concede anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, fosse pautada. No entanto, sem apoio suficiente e sob pressão de setores como a bancada do agronegócio, o PL mudou de posição durante a sessão.
Fracasso da obstrução e pressão interna
O líder do PL na Câmara, deputado fluminense Sóstenes Cavalcante, inicialmente orientou a bancada a obstruir a votação do projeto de reciprocidade tarifária vindo do Senado. No entanto, dás bancadas do agro e governistas reagiram com firmeza, argumentando que a postura do PL prejudicaria a economia nacional. Diante disso, Cavalcante voltou atrás e instruiu os parlamentares a votarem a favor da proposta.
“Para homenagear o agronegócio do Brasil, na figura do presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, mudamos a orientação para sim, porque não vamos boicotar quem mais produz, quem deveria ser respeitado por esse desgoverno, que não respeita o agronegócio brasileiro”, declarou Cavalcante durante a sessão.
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Anistia emperrada e confronto com Hugo Motta
Enquanto isso, o partido continuou pressionando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para pautar a urgência do projeto de anistia, mas sem sucesso. Motta tem resistido às tentativas da oposição de impor a votação do texto. O líder do PL, além de cobrar publicamente o presidente da Casa, organizou uma coletiva de imprensa no Salão Verde, com a presença de parentes de presos pelos atos do 8 de janeiro. Contudo, Motta impediu que os familiares falassem no local, o que gerou protestos de Cavalcante.
“Aqui, numa coletiva, eu jamais pensava que a gente teria algum tipo de censura. (…) Eu nunca esperava que na casa do povo, na hora de uma coletiva de imprensa, quem mais deveria ter protagonismo (não poderia ser ouvido)”, reclamou o deputado.
Para contornar a situação, os parlamentares bolsonaristas levaram a imprensa para outro local dentro da Câmara, onde familiares dos presos posaram para fotos e gritaram palavras de ordem a favor da anistia.
Tentativa de influenciar o STF
O líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS), também tentou reforçar a pressão, entregando a Hugo Motta um documento que lista supostos abusos e irregularidades nas prisões dos extremistas envolvidos no 8 de janeiro. Sem conseguir uma audiência formal com o presidente da Câmara, Zucco o abordou durante a sessão e fez questão de registrar o momento em fotos divulgadas em redes sociais.
O documento apresentado também pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) a extensão de benefícios concedidos à cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que ficou famosa por pichar a Estátua da Justiça no STF com batom. Para os demais réus, o PL solicitou medidas como conversão das penas em prisão domiciliar.
Sessão marcada e impasse na anistia
Com a estratégia de obstrução enfraquecida, a pauta da Câmara segue com projetos importantes, como a “Lei do Mar” (PL 6969/13), que institui a Política Nacional para a Gestão Integrada, a Conservação e o Uso Sustentável do Sistema Costeiro-Marinho. Também está na pauta o PL 3339/24, que endurece penalidades para crimes ambientais, e o PL 3965/21, que destina parte das multas de trânsito para a formação de condutores de baixa renda.