Um dos processos mais surrealistas da Lava Jato chega ao final – aquele em que sete pessoas, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram acusadas de comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. A acusação teve início numa gravação na qual o ex-senador Delcídio do Amaral dizia saber de um esquema para patrocinar o silêncio e a fuga de Cerveró do país.
O processo chega oficialmente ao fim, através de sentença do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Criminal do Distrito Federal. O próprio Delcídio, no início das investigações, havia dito que inventara a narrativa à família Cerveró, num encontro gravado pelo filho do ex-diretor da Petrobras, Bernardo. Diante disso e após as diligências, o procurador do caso, Ivan Claudio Marx, pediu a absolvição dos acusados. Além de Lula e Delcídio, o banqueiro André Esteves, Diogo Ferreira (então chefe de gabinete do ex-senador), Edson Siqueira Filho (ex-advogado de Cerveró), e os pecuaristas José Carlos Bumlai e seu filho, Maurício, foram considerados inocentes.
O episódio mostra o risco que a Justiça corre ao embarcar em lorotas, como a inventada pelo ex-senador. As recentes contradições entre delatores da Lava Jato mostram também que há gente se beneficiando de delações com base em mentiras.
A Lava Jato, que conseguiu inúmeras conquistas ao desbaratar um dos maiores esquemas de corrupção que se tem notícia no país, precisa agora separar o joio do trigo – e ir a fundo nas investigações para saber quem está mentindo e quem está falando a verdade. Para encarcerar, evidentemente, os mentirosos.