Ela sofreu críticas do Centrão por seu desempenho, mas entregou o Mais Acesso, Farmácia Popular gratuita e uma vacina 100% nacional de dose única contra a dengue
A inevitável reforma ministerial do governo Lula começou pela Saúde, com a demissão, nesta tarde de terça-feira (25), da ministra Nísia Trindade, que abre passagem para que o ex-ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha assuma seu lugar, em 6 de março.
A decisão era esperada, já que Trindade não tinha trânsito político nem conseguia lidar com a esperada eficiência as idas e vindas das burocracias licitatórias e pressões sobre a pasta com o terceiro maior orçamento (R$ 241,6 bilhões). Ela foi severamente criticada, mas não houve ações do Executivo em seu auxílio no comando do ministério que mais sofreu desgastes durante o enfretamento da pandemia de Covid-19, no mandato de Bolsonaro. A agora demissionária foi presidente da Fundação Oswaldo Cruz, entre 2017 e 2022, instituição atacada pelos negacionistas vacinais de dentro e de fora do governo.
Padilha conhece a pasta. Médico, ele foi ministro da Saúde de Dilma Rousseff entre janeiro de 2011 e janeiro de 2014. Ele volta justamente para tentar dar mais dinâmica à Saúde e evitar ceder ao Centrão um dos cargos mais sensíveis para Lula.
No dia de sua saída, Nísia entregou o início da produção em larga escala da primeira vacina em dose única 100% nacional contra a dengue (na imagem). Não é pouco. Ela também alinhavou o programa o Mais Acesso a Especialistas, que tentará reduzir as filas para exames e consultas nas áreas de oncologia, cardiologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e ortopedia.
Em oposição, Nísia foi criticada por deixar vacinas vencerem e por sua gestão nas crises de dengue, febre amarela.
Em nota divulgada na última sexta-feira (21), Nísia avaliou que a pasta, sob o comando de Lula, vem cumprindo com o compromisso de reestruturar o SUS e de cuidar da saúde da população “com resultados concretos”, citando feitos como 100% dos medicamentos do programa Farmácia Popular com gratuidade e o aumento da cobertura vacinal no país após mais de seis anos de quedas consecutivas.
É certo que Lula irá mudar outras pastas, porém na Educação o petista Camilo Santana deve permanecer.